Embora a notificação da esporotricose ainda não seja obrigatória em todo o território nacional, o monitoramento da zoonose torna-se cada vez mais relevante diante do aumento de casos no mundo, da identificação de novas espécies patogênicas e das mudanças observadas na epidemiologia da doença. O tema é abordado em artigo publicado no Especial Felinos da Revista MV&Z.

A esporotricose é uma micose zoonótica causada por fungos do gênero Sporothrix e apresenta elevada transmissibilidade, principalmente por meio de arranhaduras, mordeduras ou contato direto com secreções de lesões de animais infectados. Os gatos desempenham papel central na cadeia de transmissão da doença.

Apesar disso, a esporotricose é listada como de notificação obrigatória apenas em alguns estados e municípios, o que dificulta dimensionar a real magnitude da enfermidade no País, considerado o epicentro da esporotricose zoonótica na América Latina.

A revisão apresenta a expansão das áreas endêmicas, com relatos de casos humanos em praticamente todos os estados brasileiros, com exceção de Roraima.  O trabalho também menciona o primeiro registro de transmissão de Sporothrix brasiliensis de gatos para seres humanos fora da América do Sul, ocorrido no Reino Unido.

“Com o registro dos casos, torna-se possível compreender a distribuição geográfica da doença, sua disseminação entre estados e municípios e a evolução dos surtos. Isso fortalece a vigilância epidemiológica, permite melhor monitoramento da zoonose e favorece a destinação de recursos para ações de prevenção, controle, pesquisas científicas e programas de saúde pública”, destaca a professora e doutora em Fisiologia, Elisabeth Criscuolo Urbinati, uma das autoras do trabalho.

O trabalho também chama atenção para o manejo inadequado de muitos animais acometidos pela doença.  Em diversos casos não há tratamento, encaminhamento às instituições responsáveis ou destinação adequada após o óbito, incluindo a cremação quando indicada. Muitos animais foram abandonados ou morreram sem manejo sanitário apropriado, favorecendo a permanência e disseminação do fungo no ambiente. 

O artigo faz parte do Especial Felinos, primeira publicação temática da Revista MV&Z. Para conhecer os detalhes do estudo clique aqui e aproveite para explorar os demais conteúdos desta edição.