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<Root><CabeçarioPG1>mv&amp;z</CabeçarioPG1><CabeçarioPG1>ISSN 2596-1306 Versão on-line</CabeçarioPG1><Matéria><Titulo>Carcinoma de células escamosas em equinos - relato de caso Squamous cell carcinoma in horses - case report </Titulo><Autores>Gabriel Ribeiro de Brito*; Rogério Navarro de Abreu *Autor Correspondente: Gabriel Ribeiro de Brito. Rua Anibal Claro Amor, 297,  Bom Jesus, Guaranésia, MG, Brasil. CEP: 37810-000. E-mail: gabrielrbvet@outlook.com </Autores> <ComoCitar>Como citar: BRITO, G. R. de; ABREU, R. N. de. Carcinoma de células escamosas em equinos - relato de caso. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo, v. 19, n. 1, 2021, e38108. DOI: https://doi.org/10.36440/recrmvz.v19i1.38108.  Cite as: BRITO, G. R. de; ABREU, R. N. de. Squamous Cell Carcinoma in Horses - case report. Journal of Continuing Education in Veterinary Medicine and Animal Science of CRMV-SP, São Paulo, v. 19, n. 1, 2021, e38108. DOI: https://doi.org/10.36440/recrmvz.v19i1.38108. </ComoCitar><Resumo>Resumo O presente trabalho relata o caso de uma égua de pelagem pampa, manga-larga, com 10 anos de idade, atendida no Hospital Veterinário Vicente Borelli, da Fundação de Ensino Octávio Bastos, São João da Boa Vista, SP, apresentando lesão circular e ulcerada em região do músculo semi-membranoso direito próximo à vulva, diagnosticada como carcinoma de células escamosas. O carcinoma de células escamosas ou carcinoma epidermoide é uma neoplasia cutânea cada vez mais comum na rotina clínica equina. Trata-se de um tumor maligno dos queratinócitos que acomete áreas despigmentadas, da pele ou com rarefação pilosa, devido à maior exposição solar. O animal foi submetido a tratamento com crioterapia, com remissão da neoplasia, confirmada no exame histopatológico. Palavras-chave: Tumores. Crioterapia. Neoplasia. Musculatura. Vulva. Abstract The present work aimed to report the case a tobiano mare manga-larga breed, 10 years of age, attended at Hospital Veterinário Vicente Borelli, Fundação de Ensino Octávio Bastos, São João da Boa Vista SP, presenting circular and ulcerated lesions in  semi-membranous muscle area, near to the vulva, diagnosed as squamous cell carcinoma. Squamous cell carcinoma or epidermoid carcinoma is an increasingly common skin neoplasm in equine clinical routine, being a malignant tumor of keratinocytes undedepigmented areas of the skin or with few hairs due to greater sun exposure. The animal underwent cryotherapy treatament, with neoplasm remission, confirmed by histopathological examination.  Keywords: Tumors. Cryotherapy. Neoplasm. Musculature, Vulva. </Resumo><CorpoDoTexto>Introdução As neoplasias cutâneas em equinos são cada vez mais frequentes na rotina clínica, ocasionando perda econômica devido à estética, além de desconforto para o animal (SPRENGER et al., 2014). Nesta espécie, o carcinoma de células escamosas, também conhecido como carcinoma epidermoide ou carcinoma espinocelular, apresenta-se como uma das neoplasias cutâneas mais comuns (SILVA et al., 2015). O carcinoma de células escamosas (CCE) é um tumor maligno proveniente dos queratinócitos (TILLMANN et al., 2017), que ocorre com maior frequência em áreas com rarefação pilosa e falta de pigmentação da pele, como pálpebras, pênis ou vulva (FOSTER, 2013). A exposição ao sol é uma das principais causas para o desenvolvimento do CCE, já que a radiação ultravioleta pode danificar o DNA, desencadeando a mutação celular (KUSEWITT, 2013). O desenvolvimento do CCE ocorre, primeiramente, pela dermatose solar, seguida de eritema, edema, descamação e formação de úlceras, a partir disso, ocorre a invasão da derme, tornando a lesão com aspecto mais firme. Macroscopicamente, podem ser classificados como erosivos, quando formados por úlceras profundas cobertas por crostas, ou produtivos, que têm aspecto de couve-flor e sangram com facilidade (RAMOS et al., 2007). Microscopicamente, as células neoplásicas se dispõem como cordões ou ilhas que invadem a derme, apresentando grandes núcleos centrais, com nucléolos evidentes e citoplasma proeminente, variando de acordo com a diferenciação do neoplasma. Nos CCEs bem diferenciados as células se organizam em espirais ou cordões queratinizados, formando pérolas lamelares ou ainda aparecem queratinizadas, individualmente, formando pontes intercelulares. Nos CCEs indiferenciados, há uma maior dificuldade em identificar se as células neoplásicas provêm dos queratinócitos, já que a queratinização individual prevalece, seguida de cariorrexe com ausência de picnose (CARVALHO et al., 2012). Os sinais clínicos mais evidentes incluem erosões e lesões em placa que não cicatrizam, acompanhadas ou não de tecido de granulação, formação de massa com aspecto de couve-flor ou ainda úlceras profundas com necrose intensa. Nos estágios mais avançados do CCE, podem ocorrer metástases para linfonodos regionais e acometendo também órgãos internos (SILVA et al., 2015). O diagnóstico é realizado por meio da observação dos sinais clínicos, análise do histórico do animal, bem como avaliação da lesão e confirmação por punção aspirativa por agulha fina e exame histopatológico, este último é o mais indicado para fechar o diagnóstico do carcinoma de células escamosas, onde um fragmento ou mais de tecido é retirado com uma incisão ou punch (SOUSA et al., 2019). A terapêutica do CCE compreende a excisão cirúrgica, crioterapia, quimioterapia, radioterapia e terapia fotodinâmica. Especialistas na Oncologia Veterinária procuram formas de tratamento antineoplásico que possam ser mais eficientes, menos mutilantes e menos agressivas (FORTIER; MACHARG, 1994). O tratamento sistêmico e tópico com agentes quimioterápicos devem ser considerados como uma opção viável. O prognóstico varia de favorável, para aqueles animais com pequenas lesões diagnosticadas precocemente, a reservado, para pacientes com neoformações infiltrativas extensas ou com metástase (SALEME et al., 2015). O presente trabalho relata o caso de uma égua da raça manga-larga, 10 anos, de pelagem Pampa, atendida no Hospital Veterinário Vicente Borelli, do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (Unifeob), apresentando carcinoma de células escamosas em região de musculatura semimembranosa direita, próxima à vulva.   Relato de caso No dia 16/05/2019, uma égua, da raça manga-larga, com 10 anos de idade, com pelagem pampa e 480 kg de peso vivo, deu entrada no Hospital Veterinário Vicente Borelli, da Fundação de Ensino Octavio Bastos (Unifeob), apresentando lesão de formato circular, ulcerada, na região do músculo semimembranoso direito próximo à vulva (Figura 1). Havia também uma moderada inflamação dos lábios vulvares, região abaixo da cauda e períneo. O animal foi encaminhado ao hospital por colega médico-veterinário, já com o diagnóstico de carcinoma de células escamosas, realizado por de biópsia incisional.  Figura 1: 16/05/2019 - Dia da chegada do equino ao hospital veterinário. Presença de secreção com cheiro desagradável.                                No exame físico, o animal apresentou parâmetros fisiológicos normais e os exames de triagem, hemograma e bioquímica sérica estavam dentro da normalidade para a espécie. Foi colhida uma amostra de fezes para coproparasitológico (OPG e OOPG), constatando-se alta contagem de ovos por grama de fezes. O tratamento foi instituído no mesmo dia da chegada do animal ao Hospital Veterinário, optando-se por crioterapia (Figura 2), realizada com o emprego de aparelho da marca NITROSPRAY®, que produz o congelamento das células tumorais com aplicação de nitrogênio líquido. Esta terapia que apresenta menor custo em relação a outros métodos terapêuticos e também por ser a que mais se enquadrava para o presente caso e por estar adequada à realidade financeira do proprietário.  Figura 2: Era certificado que toda a área da lesão fosse queimada com nitrogênio e também se tomava o cuidado de proteger tecidos adjacentes.                                                                      As sessões foram realizadas com intervalos de, aproximadamente, dez dias de um procedimento para o outro, totalizando sete sessões de congelamento. O animal também recebeu Piroxicam (7,5mg/kg-BID) e Omeprazol (1g/kg-SID), por um período de 30 dias. Nos intervalos, foram efetuados curativos diários para a limpeza da ferida, utilizando-se água morna e gaze para o debridamento de tecidos necrosados por conta do congelamento e controle da granulação exuberante da ferida (Figura 3), bem como uso tópico de pomada à base de Imiquimode (Modique®).  Figura 3: Procedimento de limpeza e debridamento da ferida com remoção de tecido necrótico e realização de curativo tópico.   			 Os autores (2020). Durante o tratamento houve a melhora significativa da lesão. Na data da última sessão de crioterapia (12/07), antes do procedimento de congelamento, foi colhida uma nova amostra para exame histopatológico em três pontos distintos da região. O laudo do exame confirmou ausência de células neoplásicas, indicando a remissão e o sucesso na terapia adotada. O animal recebeu alta médica vinte dias após o último congelamento (Figura 4), ainda com recomendação de limpeza diária da ferida e uso de pomada cicatrizante à base de óleo de rícino e repelente tópico, até o fechamento total da ferida, que se completaria por segunda intenção.  Figura 4: Dia 29/07, alta médica. Observa-se o crescimento uniforme da pele onde antes havia tecido neoplásico, sem presença de tecido de granulação e somente um pequeno ponto com falha de preenchimento cutâneo.                                  Figura 5: Células neoplásicas dispostas em ninhos de variados tamanhos, com formação ocasional de queratinizacão central (pérolas  de queratina), bindicada pela seta.                                                         Fonte: OMARA-OPYENE, A.L.; VARMA, S.; SAYER, P.D. 1985 Discussão Foster (2013) refere que o CCE se origina comumente nas regiões da pele da vulva e áreas com rarefação pilosa e menos pigmentadas, como foi observado no caso relatado. Raças com pelagem despigmentada como Appaloosa, Belgas, Paint Horse, Lusitanos e suas variantes do gene Isabel estão dentre as mais acometidas (BATAIER et al., 2012), porém cavalos de qualquer raça ou sem raça definida também podem ser afetados (Ramos et al., 2007). No caso descrito, o animal de pelagem pampa foi susceptível ao desenvolvimento do CCE. O tratamento do CCE varia de acordo com localização e extensão da lesão. A prioridade é a excisão cirúrgica com margens de segurança, porém em neoplasmas amplos e profundos recomenda-se a associação de crioterapia e quimioterapia intralesional ou sistêmica (COTOVIO et al., 2005).  No caso em pauta, o AINE Piroxicam foi empregado como tratamento sistêmico adjuvante, por ser um inibidor da cicloxigenase do tipo 2, que se apresenta muito expressada nas células de CCE e na neovascularização induzida pelo crescimento tumoral. De fato o Piroxican parece ter um efeito antitumoral, devido a inibição da cox – 2 (DORIA et al., 2012).  A indicação da criocirurgia deve obedecer a alguns critérios de avaliação, como o aspecto macroscópico e tamanho da lesão, tipo histológico, localização, idade e perfil de cada paciente. Quando indicada e executada corretamente, oferece idênticos índices de cura aos outros métodos terapêuticos convencionais (BATAIER et al., 2012). No presente caso, a crioterapia foi eficaz, revertendo o quadro do CCE até a remissão total das células cancerígenas, confirmada pelo exame histopatológico. Conclusão O Carcinoma de Células Escamosas acomete frequentemente os equinos, principalmente, nas áreas de maior despigmentação da pele. O diagnóstico precoce auxilia na terapêutica adequada para cada caso. No presente caso, a crioterapia foi eficaz promovendo regressão da lesão até a sua remissão total. Logo após alta médica, o animal voltou para casa, onde sua ferida obteve total cicatrização em aproximadamente três meses, o proprietário ainda nos relatou que a égua emprenhou neste período. Não houve recidiva do neoplasma. <Referencias>Referências ANTUNES, A. A.; ANTUNES, A. P.; SILVA, P. V. Papel da criocirurgia no tratamento das neoplasias cutâneas do seguimento cabeça e pescoço: análise de 1900 casos. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões [online]. 2006, vol. 33, n. 2, p. 112-115. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-69912006000200011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-69912006000200011. Acesso em: 14 out. 2019. BATAIER, M. N. et al. Carcinoma de células escamosas em prepúcio de equino - relato de caso. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. v. 9, n. 18, jan. 2012. CARVALHO, F. K. L. et al. Fatores de risco associados à ocorrência de carcinoma de células escamosas em ruminantes e equinos no semiárido da Paraíba. Pesquisa Veterinária Brasileira. 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Aprovado: 03 de maio de 2021.</RecebimentoEnvio><Mestre><Mestre></Mestre><Mestre></Mestre><Mestre>mv&amp;z | Revista mv&amp;z, São Paulo, v. 19, n. 1, 2021, e38108, DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v19i1.38108</Mestre><Mestre>mv&amp;z | Revista mv&amp;z, São Paulo, v. 19, n. 1, 2021, e38108 DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v19i1.38108</Mestre><Mestre>Gincana Anatômica - Metodologia Ativa no Ensino- aprendizagem na Medicina Veterinária: relato de caso</Mestre><Mestre>Patologia Veterinária</Mestre></Mestre></Root>
