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<Root><CabeçarioPG1>mv&amp;z</CabeçarioPG1><CabeçarioPG1>ISSN 2596-1306 Versão on-line</CabeçarioPG1><Matéria><Titulo>Cetose subclínica e seu impacto no desempenho reprodutivo de vacas leiteiras: revisão de literatura  Subclinical ketosis and its impact on the reproductive performance of dairy cows: literature review </Titulo><Autores>Beatriz Adriane Diniz de Castro*, Isabella Maia Pires, Leandro Silva de Andrade *Autor Correspondente: Beatriz Adriane Diniz de Castro. Rua Antônio Teresino, 110, Miramar (Barreiro), Belo Horizonte, MG, Brasil, CEP: 30642565. E-mail: beatrizcastrovet@gmail.com </Autores><ComoCitar>Como citar: CASTRO, B. A. D.; PIRES, I. M.; ANDRADE, L. S. Cetose subclínica e seu impacto no desempenho reprodutivo de vacas leiteiras: revisão de literatura. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo, v. 21, e38359, 2023. DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v21.38359. Cite as: CASTRO, B. A. D.; PIRES, I. M.; ANDRADE, L. S. Subclinical ketosis and its impact on the reproductive performance of dairy cows: literature review. Journal of Continuing Education in Veterinary Medicine and Animal Science of CRMV-SP, São Paulo, v. 21, e38359, 2023. DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v21.38359. </ComoCitar><Resumo>Resumo  A cetose, conhecida também como acetonemia, é um distúrbio metabólico que afeta principalmente vacas leiteiras de alta produção. A elevação anormal de corpos cetônicos nos tecidos e fluidos corporais do animal ocorre devido a um déficit de energia. A quantidade de alimento/nutrientes ingeridos não é suficiente para suprir a demanda corporal do mesmo, assim como a eficiência reprodutiva que está diretamente ligada à saúde, condição corporal e sua capacidade de produção. Animais de alta produção possuem um desafio muito grande de aumentar a produção a cada lactação, com isso, estão susceptíveis a mudanças metabólicas, entre elas a cetose, clínica ou subclínica. Tal enfermidade ocorre devido a uma má adaptação metabólica do animal a sua nova condição de lactante. A elevada incidência de doenças uterinas no pós-parto de vacas leiteiras é responsável por inúmeros prejuízos para a atividade, principalmente pela redução da eficiência reprodutiva das vacas acometidas por infecções. Contudo, visto que a cetose subclínica prevalece nos rebanhos leiteiros de alta produção, o objetivo desta revisão de literatura é apresentar a patogenia e os efeitos que esse distúrbio metabólico têm sobre a reprodução das vacas de aptidão leiteira após o parto, utilizando de indicadores como taxa de prenhez, taxa de concepção, retorno a ciclicidade, intervalo entre partos e intervalo entre parto e estro.  Palavras-chave: Cetose Subclínica. Reprodução. Vacas. Abstract Ketosis, also known as acetonemia, is a metabolic disorder that primarily affects high-yielding dairy cows. The abnormal elevation of ketone bodies in the animal’s tissues and body fluids occurs due to an energy deficit. The amount of food/nutrients ingested are not enough to supply the body’s demand, as well as the reproductive efficiency that is directly linked to health, body condition and its production capacity. High production animals have a very big challenge to increase production with each lactation, therefore, they are susceptible to metabolic changes, including clinical or subclinical ketosis. Such a disease occurs due to a poor metabolic adaptation of the animal to its new lactating condition. The high incidence of uterine diseases in the postpartum period of dairy cows is responsible for numerous losses to the activity, mainly for the reduction of the reproductive efficiency of cows affected by infections. However, since subclinical ketosis prevails in high production dairy herds, the objective of this literature review is to present the pathogenesis and the effects that this metabolic disorder has on the reproduction of dairy cows in the postpartum period, using indicators such as pregnancy rate, conception rate, return to cyclicity, calving interval and calving-estrus interval. Keywords: Subclinical Ketosis. Reproduction. Cows. </Resumo><CorpoDoTexto>Introdução Com a evolução do melhoramento genético, as vacas leiteiras estão cada vez mais produtivas e, com isso, são desafiadas ao máximo para que consigam atingir altos índices de produção de leite, mantendo os processos metabólicos e fisiológicos, preservando a saúde integral desses animais (MOREIRA, 2013). Contudo, durante o chamado período de transição, composto por três semanas pré-parto e três semanas após o parto, manter a homeostasia do organismo desses animais vem se tornando cada vez mais desafiador. Visto que nesse intervalo de tempo o organismo desses animais sofre diversas mudanças metabólicas para que consiga se preparar para o parto e se adapte ao perfil de lactante (MOTA et al., 2006). Na maioria das vezes, a cetose subclínica afeta vacas de alta produção nas primeiras semanas após o parto, mas pode também acometer qualquer animal em balanço energético negativo, que está correlacionado com um manejo nutricional deficiente, onde a disponibilidade de energia da dieta não supre a demanda energética (PROTO; BARROS; BARBOSA, 2021). Visando a adaptação, o organismo dos animais desenvolverá diversas alterações metabólicas para a obtenção de energia necessária para manutenção das necessidades fisiológicas. Entretanto, esse mecanismo pode ter como consequência a produção e liberação excessiva de corpos cetônicos (CC) na corrente sanguínea desses animais, o que leva a uma doença conhecida como cetose (RABELO; CAMPOS, 2009). O presente trabalho tem o objetivo de apresentar uma revisão de literatura sobre a patogenia, classificação e os efeitos da cetose na reprodução das vacas durante o chamado período de transição.  Revisão de literatura Período de Transição Hoje na bovinocultura leiteira de alta produção já é conhecido que o momento mais crítico e importante da vida das vacas é o que chamamos de período de transição, que compreende 21 dias pré-parto e 21 dias pós-parto. Nesse período, o organismo da vaca está se adaptando para dar início a lactogênese e se preparando para o parto (MOTA et al., 2006).  Durante o período de transição as exigências nutricionais das vacas aumentam, em contrapartida, a ingestão de matéria seca diminui drasticamente, o que resulta no balanço energético negativo (AIRES et al., 2020). Ortolani (2009) destaca que, em média, 70% dos distúrbios metabólicos e doenças tendem a se manifestar nesse período, o que tem chamado a atenção dos produtores e médicos-veterinários. O alto desafio que as vacas de alta produção são submetidas durante o período de transição, leva a uma série de disfunções e a uma maior dificuldade para manter a homeostasia, definida como os processos de regulação para a manutenção do equilíbrio metabólico em diferentes condições ambientais ou nutricionais (ROCHE et al., 2009). As alterações inevitáveis que fazem parte da fisiologia do período periparturiente para a nova condição de lactante incluem: alterações hormonais; diminuição da ingestão de matéria seca; balanço energético negativo e mudanças no metabolismo hepático. Porém, a gravidade e duração de tais alterações é variável e elas são fatores importantes para a determinação da saúde e produtividade do animal até o fim da lactação (GRUMMER, 1995). Durante o período de transição as concentrações séricas de glicose oscilam e o organismo das vacas desenvolve mudanças metabólicas para a manutenção da homeostase e início da lactogênese. No pré-parto os níveis de glicose se apresentam baixos, durante o parto há um aumento e após o parto uma queda (KUNZ et al., 1985). As baixas concentrações plasmáticas de glicose registradas no terço final da gestação, fazem com que organismo da vaca desencadeie alterações metabólicas, como um aumento na secreção de GH (responsável por distribuir a glicose para os órgãos e suas funções) na corrente sanguínea, que irá desenvolver uma resistência insulínica (tecido adiposo, fígado e músculos), além disso, haverá também uma redução nas concentrações de IGF-1 (fator de crescimento como insulina), que desencadeará uma queda brusca na lipogênese (síntese de ácidos graxos e triglicérides), o que predispõe a lipólise do tecido adiposo (degradação de lipídios em ácidos graxos e glicerol) e a gliconeogênese hepática, com desvio da glicose para o desenvolvimento fetal e para a glândula mamária com síntese de lactose (CUPERTINO et al., 2011; GRUMMER, 1995; LEIVA, 2014).  No momento do parto a elevação da concentração da glicose plasmática está relacionada com o aumento de glicocorticoides e do hormônio Glucagon, uma substância hiperglicemiante, que mobiliza energia a partir das reservas de glicogênio hepático (RABELO; CAMPOS, 2009). No pós-parto haverá uma diferença nas curvas de produção de leite e de consumo de matéria seca (CMS), pois após o parto o CMS aumenta gradativamente atingindo o seu pico entre a décima e décima segunda semana de lactação, enquanto a produção de leite atinge o seu pico entre a quarta e sexta semana de lactação. Ou seja, os picos ocorrem em momentos diferentes, o que mantém a vaca no balanço energético negativo (BEN), onde a concentração de glicose plasmática irá cair novamente, pois o organismo da vaca direciona para a glândula mamária e para o desenvolvimento do feto (GOFF, 2006). As doenças metabólicas comuns no período de transição são silenciosas e precisam ser monitoradas  com o emprego de indicadores e exames. A base fisiológica para os problemas metabólicos são: redução do consumo de matéria seca (CMS), balanço energético negativo (BEN), modificações da flora e epitélio ruminal, metabolismo do cálcio, resistência à insulina, inflamação e estresse oxidativo. Os distúrbios metabólicos e enfermidades com maior incidência no período de transição são: deslocamento de abomaso; mastite; retenção de placenta; hipocalcemia; redução da resposta imunogênica; cetose; esteatose hepática e metrite (LEBLANC, 2010). O período de transição (pré e pós-parto) tem uma relação íntima com a incidência de cetose nos rebanhos de vacas leiteiras de alta produção, visto que o desenvolvimento dessa alteração está correlacionado a uma má adaptação ao BEN, que como consequência pode levar a produção excessiva de CC (corpos cetônicos) como uma tentativa de suprir a falta de glicose para a mantença do animal. Há, portanto, uma correlação da cetose com o bem-estar animal, revelado pela manifestação de anorexia, perda de peso e ECC (escore de condição corporal) e possíveis enfermidades secundárias pela diminuição na ingestão de alimentos (SCHEIN, 2012).  As vacas devem ser monitoradas, recebendo uma dieta balanceada para elas conseguirem disponibilizar glicose para todos os tecidos, para o feto, glândula mamária e ainda para a sua própria mantença, amenizando os efeitos do BEN e a incidência de distúrbios metabólicos durante todo o período de transição, com o bem-estar animal preservado (MOTA et al., 2006). Balanço Energético Negativo (BEN) Após o parto as vacas apresentam uma disparidade no requerimento de energia, isto é, o animal demanda mais energia do que consegue consumir, por consequência desencadeia diversas alterações metabólicas e hormonais para conseguir suprir esse déficit, que é conhecido como balanço energético negativo (BEN) (FRITZEN; FERREIRA, 2016).  O BEN não é patológico, pois diversos mamíferos também o desenvolvem no terço final da gestação, dessa forma, o ideal é que a vaca retorne para o balanço energético positivo (BEP) de 40 a 60 dias após o parto, caso o animal permaneça em BEN após esse período, ele passa a ser considerado como anormal (EUSTÁQUIO FILHO et al., 2010). Bell, Slepetis e Ehrhardt (1995) ressaltam que uma vaca no terço final da gestação reduz cerca de 10 a 30% o seu o CMS, em compensação há um aumento considerável na demanda de nutrientes, pois a placenta e o feto estão nos seus picos de exigências.  Gráfico 1 – Representativo do requerimento energético e balanço energético negativo das vacas no pré-parto, parto e pós-parto   Fonte: Castro, Pires e Andrade (2022).  Os ruminantes são dependentes da gliconeogênese hepática para conseguir obter toda a  glicose necessária para a sua mantença, pois somente o uso de ácidos graxos voláteis (AGV’S) (DRACKLEY; OVERTON; DOUGLAS, 2001), como o proprionato, gerados a partir da fermentação ruminal não são suficientes para suprir a exigência total de glicose, fazendo se necessário à mobilização de aminoácidos via músculos esqueléticos e a mobilização de gordura para a liberação de glicerol, usados para complementar a demanda de energia (NIED, 2016). Além da resistência insulínica e os outros eventos metabólicos do período de transição, o crescimento final e o tamanho do feto também estão relacionados com o BEN, visto que o útero realiza uma força física sobre o rúmen, limitando assim a sua capacidade para armazenar alimentos, logo a vaca terá uma redução da ingestão de matéria seca, agravando assim o BEN (CUPERTINO et al., 2011). O aumento das concentrações do Glucagon e GH, e a redução da concentração de insulina estão inteiramente relacionados com o desenvolvimento do balanço energético negativo, pois essas duas variáveis interferem nas concentrações sanguíneas dos ácidos graxos não esterificados (AGNE’s) durante todo o período de transição (BRANDÃO, 2016). A necessidade de mobilizar energia, faz com que o organismo da vaca inicie a depleção de tecido adiposo, ou seja, inicia-se a lipólise dos adipócitos. Há então a liberação de glicerol e AGNE’s (ácidos graxos não esterificados), e o último é captado pelo fígado, para a produção de energia. Os AGNE’s podem seguir três diferentes rotas: completa oxidação (betaoxidação) com liberação de dióxido de carbono que fornece energia para o fígado; oxidação parcial formando corpos cetônicos, utilizados nos outros tecidos como fonte de energia; metabolização e armazenagem como triglicerídios (reesterificação) (AROEIRA, 1998). Os AGNE’s, presentes no sangue, passam a ser captados e metabolizados pelo fígado. A primeira via é a betaoxidação, que quebra as moléculas de gordura, liberando CO2 (dióxido de carbono), água e muita energia (ATP) (RABELO; CAMPOS, 2009). Contudo, como o organismo da vaca está em lipólise e há muita gordura para ser metabolizada, essa reação se torna saturada, e o fígado inicia a reação de reesterificação para compensar. Há, portanto, a esterificação das moléculas de gordura com o glicerol, formando o colesterol VLDL, que é uma lipoproteína de baixa densidade, que tem a função de transportar triglicerídeos para outros órgãos pela corrente sanguínea. Essas moléculas de gordura também podem ser armazenadas na forma de triglicerídeos no fígado e em outros tecidos, o que pode levar a vaca a desenvolver a esteatose hepática (fígado gordo) (ALVES; PEREIRA; COELHO, 2009). Quando a reação de reesterificação se satura, o fígado inicia a sua última via de oxidação, a de oxidação parcial da gordura, que, de todas as reações, é a única que não satura, todavia tem como consequência a formação exacerbada de corpos cetônicos (ALVES; PEREIRA; COELHO, 2009).  Nesta última via, os AGNE’s são parcialmente oxidados e transformados em acetil CoA, que quando o animal se encontra no seu status fisiológico deve se ligar ao oxaloacetato no ciclo de Krebs para gerar energia (ATP), mas como a vaca se encontra em status hipoglicêmico, os carboidratos estão sendo desviados para a síntese da glicose, logo não haverá oxalacetato para se ligar ao acetil CoA, em vista disso, essa substância é metabolizada e formará aos corpos cetônicos, como o beta-hidroxibutirato, acetoacetato e acetona (ALVES; PEREIRA; COELHO, 2009; AROEIRA, 1998).  Figura 1 – Representação do metabolismo dos AGNE’s   Fonte: Rabelo e Campos (2009).  Pode se dizer, então, que a produção de corpos cetônicos durante o balanço energético negativo é considerada uma rota alternativa de fornecimento de energia para a mantença das vacas que apresentam uma limitação na ingestão de MS durante o pós-parto (ALVES; PEREIRA; COELHO, 2009; AROEIRA, 1998). Durante o BEN, a capacidade de secreção e oxidação hepática é excedida devido às altas quantidades de AGNE’s direcionados para esse órgão, e, portanto, ocorre uma infiltração e deposição de lipídeos no fígado das vacas, o que é chamado de esteatose hepática (FIORENTIN, 2014). A conclusão obtida é que a produção excessiva de corpos cetônicos (cetose) e a esteatose hepática são consequências de um balanço energético negativo prolongado ou descontrolado (ALVES; PEREIRA; COELHO, 2009). Patogenia da Cetose Schein (2012) refere que a cetose não é uma consequência do BEN, ou seja, as vacas só irão desenvolver cetose no pós-parto quando não conseguirem se adaptar a esse status metabólico. Logo, haverá a mobilização de tecido adiposo e, consequentemente, a produção de corpos cetônicos como fontes de energia para a mantença dos animais (VAN SAUN, 2007). A síntese e elevação da concentração sérica de corpos cetônicos é um mecanismo importante e até certo ponto um processo normal de adaptação metabólica para suprir as exigências da vaca no início de lactação, porém, o seu excesso é anormal e patológico (EUSTÁQUIO FILHO et al., 2010).  A importância econômica desse distúrbio pode estar relacionada tanto com a queda da produção de leite quanto à falha na eficiência reprodutiva, que causa retardo no retorno da atividade ovariana e, consequentemente, aumento no intervalo entre partos, e aumento do primeiro serviço das vacas (GONÇALVES, 2013). A cetose pode ser classificada como clínica ou subclínica, tendo como parâmetro as concentrações de corpos cetônicos (CC) no sangue, urina, leite e a manifestação de alguma sintomatologia (MELENDEZ; RISCO, 2005; SCHEIN, 2012). Na clínica, os animais apresentam sinais inespecíficos como redução do CMS (consumo de matéria seca), diminuição da produção de leite, perda de peso (ECC), hipercetonemia, hipoglicemia, hipoinsulinemia, letargia, aumento da concentração de triglicerídios (TG) no fígado, baixas concentrações de glicogênio nos hepatócitos e, em casos mais severos, os animais podem apresentar algum sinal clínico neurológico (DUFFIELD, 2000; RADOSTITS et al., 2007). Já a subclínica se apresenta totalmente silenciosa, com ausência de sinais clínicos, logo o seu diagnóstico é feito pela mensuração de beta-hidroxibutirado (BHBA) no plasma, que deve ser superior a 1,2 mmol/L. Esse aumento sérico de BHBA pode causar um aumento de CC no sangue, leite e urina, podendo gerar prejuízos à saúde e produtividade das vacas (ANDERSSON; EMANUELSON, 1985; DUFFIELD, 2000). A forma subclínica da cetose pode representar até 34% dos casos, enquanto a clínica representa cerca de 7%, o que mostra que, por ter maior incidência nos rebanhos, a cetose subclínica é um grande desafio das vacas no período de transição (GONZÁLEZ; SILVA, 2003). Cetose subclínica e reprodução Walsh et al. (2007) ressaltam que vacas com concentração circulante de BHBA (beta-hidroxibutirato) maior que 1,0 mmol/L, na primeira semana pós-parto, foram diagnosticadas como menos propensas a ficarem gestantes na primeira IA (inseminação artificial). Na segunda semana pós-parto, os animais que apresentaram BHBA circulantes maiores que 1,4 mmol/L, tiveram uma chance de emprenhar na primeira IA significativamente menor. Na primeira ou segunda semana pós-parto, nos animais que apresentam valores de cetose subclínica circulantes, a probabilidade de virem a ficar prenhes, é 20% menor. Em vacas que ultrapassam os valores de cetose subclínica, a probabilidade de prenhez foi reduzida em 50% após a primeira IA pós-parto. A partir dessa análise, tanto a concentração circulante do BHBA quanto a duração da alta circulação do BHBA, causam um efeito negativo na probabilidade de prenhez ao primeiro serviço. As vacas diagnosticadas vazias (não prenhas) após a primeira IA tendem a aumentar as concentrações circulantes do BHBA nas três semanas antes do parto para nove semanas após o parto em relação às vacas diagnosticadas como prenhas após a primeira IA. As vacas vazias aumentaram as concentrações de BHBA circulantes em relação às vacas prenhas na segunda semana após o parto. O efeito retardado do balanço energético negativo ou da hipercetonemia no desempenho reprodutivo está claro. Tanto a duração quanto a magnitude do BEN estão associadas à redução da frequência de pulso GnRH (Hormônio liberador de gonadotrofina) hipotalâmico e à perpetuação de um loop de feedback negativo inapropriado entre a concentração estradiol e a liberação necessária de LH necessária para suportar o desvio folicular e a ovulação. Essa falha de comunicação ao longo do eixo hipotalâmico-pituitário-ovariano é a lesão fisiológica mais comum associada ao BEN que leva à retomada tardia da atividade luteal (REIST et al., 2000). Leroy et al. (2006) descrevem que a maturação de folículos in vitro em condições análogas às concentrações de fluidos foliculares de glicose e BHBA experimentadas durante a cetose subclínica, diminuiu significativamente a capacidade de óvulos fertilizados se tornarem mórula e blastocistos eclodidos, indicando um efeito tóxico direto de BHBA e dos AGNE’S no amadurecimento do óvulo. Rutherford, Oikonomou e Smith (2016) compararam a atividade física no estro e desempenho reprodutivo de vacas com cetose subclínica no início da lactação e de vacas sem cetose subclínica no mesmo período. As amostras de sangue foram colhidas e as concentrações de BHBA foram avaliadas. As vacas com concentração de BHBA no sangue de 1,2 a 2,9 mmol/L foram consideradas com cetose subclínica e valores acima foram classificados como cetose clínica. Geralmente, as vacas em cetose subclínica, em comparação com vacas não cetóticas, foram ativas por períodos mais curtos de tempo e tiveram um pico de atividade menor no estro. Além disso, vacas em cetose subclínica exibiram atividade de pico mais baixo em grupos de atividade associados ao estro que levaram à primeira inseminação em comparação com vacas que não apresentaram cetose subclínica. As vacas com cetose subclínica tiveram um intervalo atrasado do parto ao primeiro estro observado em comparação com vacas sem cetose. Além disso, o intervalo parto até a primeira inseminação e o intervalo parto até a prenhes foram prolongados em vacas com cetose subclínica. A cetose subclínica não afetou o intervalo entre o parto e a gestação em vacas primíparas, no entanto, o intervalo entre o parto e a gestação foi prolongado nas vacas em cetose subclínica de segunda cria e nas vacas de cetose subclínica na terceira ou maior paridade. A primeira inseminação foi 4,3 vezes menor na probabilidade de ter sucesso nas vacas com cetose subclínica. Rutherford, Oikonomou e Smith (2016) constataram que a prevalência de cetose subclínica nos três rebanhos estudados, foi de 17%, permanecendo na faixa intermediária a inferior da faixa registrada por Macrae, Burrough e Forrest (2012) e Mcart, Nydam e Oetzel (2012). Prevalências mais altas, geralmente, são observadas em rebanhos altamente desafiados, de alta genética com alto potencial de produção, o que pode agravar o BEN e levar a cetose subclínica no início da lactação. Os efeitos de longa duração de cetose subclínica na eficiência reprodutiva foram confirmados. Do parto ao primeiro estro, do parto à primeira inseminação e do parto à prenhez, os intervalos foram estendidos em vacas com cetose subclínica. Além disso, a movimentação de atividade física e, consequentemente, a manifestação de estro, pode também ser reduzida por cetose subclínica no início da lactação. Tanto a duração quanto a magnitude do BEN têm sido relacionadas ao aumento das concentrações de hormônio do crescimento e à diminuição das concentrações de insulina e IGF; reduzindo diretamente a competência folicular e sua resposta às gonadotrofinas circulantes (LUCY, 2000). Além disso, o BEN foi associado ao retardo e à redução do pico de LH, resultando no atraso da retomada da atividade ovariana, aumento da incidência de doença cística ovariana e menor probabilidade de prenhez a primeira inseminação (MCART; NYDAM; OETZEL, 2012; OSPINA et al., 2010). Gillund et al. (2001) trabalharam com vacas norueguesas no verão, correspondente ao inverno do Brasil, e analisaram as relações entre escore de condição corporal (ECC) e a cetose, e entre o desemprenho reprodutivo e o ECC. As conclusões obtidas foram que valores de escore de condição corporal maiores ou iguais a 3,5 no parto apresentam um alto um risco de estarem associados a cetose e que animais perderam mais ECC após a ocorrência da cetose. Primíparas e multíparas, que parem no verão norueguês, apresentaram menor risco de desenvolverem cetose. A perda da condição corporal durante o período pós-parto foi associada à diminuição da probabilidade de concepção ao primeiro serviço, intervalo prolongado de parto a concepção e aumento do número de inseminações artificiais por concepção. Concluiu-se também que o ECC é um método útil para monitorar as relações entre manejo nutricional, reprodução e cetose em vacas de dupla aptidão de produção moderada.  A perda de ECC durante o início da lactação foi associada à taxa de concepção prejudicada, intervalo prolongado entre parto e concepção, e aumento do número de IA por concepção no estudo. Butler e Smith (1989) também concluíram que a perda de ECC após o parto estava relacionada à menor taxa de concepção, já Ruegg e Milton (1995) não encontraram relações entre a perda de ECC e o desempenho reprodutivo. Gillund et al. (2001) e Ruegg et al. (1992) concluíram que o intervalo entre o parto e a primeira inseminação não estava relacionado à perda de ECC, contudo, Refsdal (1989) constatou que o intervalo entre o parto e a primeira inseminação foi relacionado à perda de condição corporal quando as vacas foram criadas a pasto perto do parto; destacou que nesse tipo de manejo a perda de ECC poderia vir a influenciar a retomada da atividade ovariana durante as primeiras semanas após o parto. Considerações finais Animais acometidos pela cetose subclínica no pós-parto têm a sua eficiência reprodutiva prejudicada, pois as alterações metabólicas registradas durante o período de transição estão diretamente relacionadas com a frequência de liberação de GnRH. O aumento nas concentrações de GH determina um feedback negativo na secreção de GnRH no hipotálamo, há uma redução da liberação de LH, e um atraso no retorno da atividade ovariana, devido à redução do pico desse hormônio e do efeito tóxico do BHBA sobre os folículos ovarianos. Há, portanto, uma redução nas chances de prenhez e o estro terá uma menor duração. Os intervalos entre parto e o primeiro estro e parto a primeira inseminação se apresentarão prolongados, e há uma maior probabilidade de desenvolvimento de cistos ovarianos com notável redução das taxas de prenhez e concepção em vacas cetóticas.  </CorpoDoTexto><Referencias>Referências AIRES, A. R. et al. Efeito da suplementação de colina protegida no perfil metabólico e intervalo entre parto e concepção de vacas leiteiras. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v. 72, n. 2, p. 553-559, mar./abr. 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-4162-10078. ALVES, N. G.; PEREIRA, M. N.; COELHO, R. M. 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Aprovado: 21 de novembro de 2022.</RecebimentoEnvio><Mestre></Mestre><Mestre></Mestre><Mestre>mv&amp;z | Revista mv&amp;z, São Paulo, v. 21, e38359, 2023, DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v21.38359. </Mestre><Mestre>mv&amp;z | Revista mv&amp;z, São Paulo, v. 21, e38359, 2023, DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v21.38359. </Mestre><Mestre>CETOSE SUBCLÍNICA E SEU IMPACTO NO DESEMPENHO  REPRODUTIVO DE VACAS LEITEIRAS: REVISÃO DE LITERATURA</Mestre><Mestre>Patologia Veterinária</Mestre></Root>
