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<Root><CabeçarioPG1>mv&amp;z</CabeçarioPG1><CabeçarioPG1>ISSN 2596-1306 Versão on-line</CabeçarioPG1><CabeçarioPG1>Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP Journal of Continuing Education in Veterinary Medicine and Animal Science of CRMV-SP</CabeçarioPG1><CabeçarioPG1></CabeçarioPG1><Matéria><Titulo>Nefrectomia e penectomia após o diagnóstico acidental de Dioctophyme renale em cão no município de Campos do Jordão, Brasil Nephrectomy and penectomy after accidental diagnosis of Dioctophyme renale in a dog in Campos do Jordão, Brazil </Titulo><Autores>Fernanda Cardoso, Yasmim Gonçalves de Souza, André Luiz Veiga Conrado*, Renata Stecca Iunes, José Roberto Machado Cunha da Silva *Autor Correspondente: André Luiz Veiga Conrado. Endereço: Rua Visconde de Taunay, 443, apto. 143, Vila Cruzeiro, São Paulo, SP, Brasil. CEP: 04726-010.  E-mail: andreveigaconrado@gmail.com </Autores><ComoCitar>Como citar: CARDOSO, F. et al. Nefrectomia e penectomia após o diagnóstico acidental de Dioctophyme renale em cão no município de Campos do Jordão, Brasil. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo, v. 21, e38487, 2023. DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v21.38487. Cite as: CARDOSO, F. et al. Nephrectomy and penectomy after accidental diagnosis of Dioctophyme renale in a dog in Campos do Jordão, Brazil. Journal of Continuing Education in Veterinary Medicine and Animal Science of CRMV-SP, São Paulo, v. 21, e38487, 2023. DOI: https://doi.org/10.36440/recmvz.v21.38487. </ComoCitar><Resumo>Resumo  Um caso de dioctofimatose é relatado em um cão macho, não castrado, criado em zona rural de Campos do Jordão, estado de São Paulo, Brasil. O tutor relatou o aumento de volume peniano e dificuldade de seu cão para urinar alguns dias antes da consulta. À ultrassonografia, observou-se dilatação e cálculo em uretra peniana (0,56 cm de comprimento) e alterações do parênquima renal direito, sugestivas da infecção por Dioctophyme renale, a qual foi confirmada na urinálise. Por fim, o paciente foi submetido à orquiectomia, penectomia e nefrectomia direita, com a presença de um exemplar de D. renale com 35 cm de comprimento, que havia consumido, totalmente, o parênquima do rim. Este é o primeiro relato de dioctofimatose em Campos do Jordão, com o agravante da necrose peniana.  Palavras-chave: Cálculo Uretral. Dioctofimatose. Penectomia. Serra da Mantiqueira. Abstract We report a case of dioctophymatosis in a male, non-castrated dog raised in a rural area of Campos do Jordão Municipality, State of São Paulo, Brazil. The tutor reported a penile enlargement and the difficulty of the dog in urinating few days before admission. Ultrasonography showed an urethral dilatation with a penile urethral calculus (0.56 cm length) and altered right kidney parenchyma suggestive of Dioctophyme renale infection, which was confirmed by urinalysis. Finally, the patient underwent orchiectomy, penectomy and right nephrectomy, with the presence of a specimen of D. renale measuring 35 cm in length that had completely consumed the kidney’s parenchyma. This is the first report of dioctophymatosis in Campos do Jordão, with penile necrosis as an aggravating factor. Keywords: Dictophymatosis. Mantiqueira Mountain. Penectomy. Urethral Calculus. </Resumo><CorpoDoTexto>Introdução A dioctofimatose é uma doença parasitária causada pelo Dioctophyme renale, considerado o maior verme nematoide que parasita os animais (Perera et al., 2021). Este helminto está presente em todos os continentes e é um parasito com potencial zoonótico, com 30 casos relatados em humanos (Yang et al., 2019; Perera et al., 2021). O ciclo parasitário do Dioctophyme renale foi descrito há mais de 70 anos, mas não está, totalmente, elucidado (Pedrassani et al., 2015; Woodhead, 1950). Para o parasitismo por D. renale é necessário um anelídeo como hospedeiro intermediário, com descrição de peixes e anfíbios atuando como hospedeiros paratênicos (Mascarenhas et al., 2019; Pedrassani et al., 2015) e diferentes espécies como hospedeiros definitivos (Perera et al., 2021). Os cães são considerados hospedeiros definitivos anormais e terminais, nos quais o ciclo é, muitas vezes, interrompido (Kommers; ILHA; BARROS, 1999). As consequências desta enfermidade podem ser inaparentes e não são observadas pelos tutores, chegando-se a casos graves com eutanásia por não serem compatíveis com a vida (Luz et al., 2014; Sapin et al., 2017).  O acesso de cães a ambientes com a presença de peixes e anfíbios portadores é fator necessário ao parasitismo por D. renale. No presente artigo, descreve-se o primeiro relato de dioctofimatose em cão mantido em região rural de Campos do Jordão, estado de São Paulo, Brasil, município que concentra a criação de trutas-arco-íris, na Serra da Mantiqueira (NOBILE et al., 2019), juntamente com o quadro de cálculo uretral. Relato de caso No Centro Veterinário de Campos do Jordão, atendeu-se um cão macho sem raça definida, não castrado, de 10 anos e pesando 13,3 kg. Na anamnese, o tutor relatou que o pênis do cão “havia aumentado de tamanho em questão de poucos dias e que estava com dificuldade para urinar” (Figura 1A). Ao exame físico, foram observadas mucosas pálidas, desidratação, distensão de bexiga por retenção de urina e protusão peniana (Figura 1B), junto com eritema e edema da glande, com o cão em posição para urinar, porém apresentando oligúria e disúria.  Figura 1 – Paciente canino com quadro de disúria (A) e protusão peniana com edema de glande (B)   Fonte: Cardoso et al. (2023). O animal foi submetido a administração de tramadol (2 mg/kg IM), meloxicam (0,2 mg/kg IM) e sedação à base de tiletamina-zolazepam (12 mg/kg IM) para realização de cistocentese guiada por ultrassom para a pesquisa de cristais, já que a principal suspeita era obstrução da uretra por cálculos urinários. Durante a ultrassonografia abdominal, detectou-se um cálculo na uretra peniana com 0,56 cm de comprimento (Figura 2A) e, na avaliação renal, observaram-se estruturas parasitárias longitudinais e transversais sugestivas da presença de D. renale no rim direito (Figura 2B). Os resultados da urinálise mostraram urina, discretamente, turva com depósito de cristais de fosfato triplo e amorfo, pH alcalino (pH 8), proteinúria pela elevada presença de células da via urinária inferior e cilindros, leucocitúria (35 células/campo) e hematúria (15 hemácias/campo), além da presença de ovos de D. renale, confirmando o parasitismo.  Figura 2 – Ao ultrassom foi detectada a dilatação da uretra peniana com a presença de cálculo uretral, com 0,56 cm de comprimento (A), e alteração do parênquima renal pelo alojamento de exemplar de D. renale (seta) (B)   Fonte: Cardoso et al. (2023). O animal foi submetido à intervenção cirúrgica, optando-se pela nefrectomia direita, penectomia e orquiectomia. Como protocolo pré-cirúrgico, utilizou-se ceftriaxona (30 mg/kg IM), robenacoxibe (1 mg/kg IM) e citrato de maropitant (Cerenia®, Zoetis) (1 mg/kg SC). No protocolo anestésico, empregou-se, como medicamento pré-anestésico, a associação de morfina (0,5 mg/kg) com dexmedetomidina (2,5 μg/kg). Realizou-se a indução anestésica com propofol (3 mg/kg IV), seguida da intubação por sonda endotraqueal com cuff nº 7,5. Após a indução, seguiu-se à anestesia epidural lombossacra, utilizando-se agulha hipodérmica 40 x 0,8 mm (21G) com morfina (0,1 mg/kg) e lidocaína 2% sem vasoconstritor (THURMON; Tranquilli; Benson, 2007). Para a manutenção, foi realizada anestesia inalatória, utilizando isoflurano (1,3%), vaporizado em oxigênio. O paciente foi monitorado com o emprego de um monitor multiparamétrico (SDAMONITOR 8®, SDAMed, Brasil). Realizou-se a ressecção do rim direito e, na sua abertura (Figura 3A), encontrou-se um exemplar de D. renale com, aproximadamente, 35 cm de comprimento (Figura 3B), o qual já havia consumido o parênquima do órgão, restando apenas a cápsula renal. Após a nefrectomia, seguiu-se a penectomia total e orquiectomia.  Figura 3 – Ressecção e abertura de rim direito, confirmando a presença de um exemplar de D. renale em seu interior (A), o qual mediu aproximadamente 35 cm de comprimento   Fonte: Cardoso et al. (2023). Para os cuidados pós-cirúrgicos, receitou-se ceftriaxona (30 mg/kg IM), tramadol (2 mg/kg IM) e meloxicam 0,2% (0,2 mg/kg SC), com limpeza de feridas cirúrgicas com clorexidina a 2% e aplicação de sprays à base de rifamicina e sais de prata (Kuraderm®, König, Brasil). Após sete dias, o paciente recebeu alta. Discussão  O Dioctophyme renale (Goeze 1782), também chamado de verme gigante do rim, é o maior nematoide conhecido e apresenta distribuição mundial (Perera et al., 2021). É reportado que o verme macho pode atingir 45 cm de comprimento por 4 a 6 mm de largura e a fêmea atinge 100 cm de comprimento por 12 mm de largura. Este parasito possui ciclo evolutivo indireto, com hospedeiros intermediários e paratênicos (Fortes, 1997 apud Alves; SILVA; NEVES, 2007). Para início do ciclo de infecção por D. renale, os ovos em estágio de célula única são excretados morulados na urina e a primeira fase larval L1 se desenvolve dentro do ovo em torno de 35 dias (Souza et al., 2019). Estes, então, são ingeridos pelo hospedeiro intermediário, os anelídeos oligoquetas de água doce Lumbriculus variegatus, parasita das brânquias de crustáceos e peixes. Após a ingestão dos ovos, as larvas L1 eclodem e atravessam a parede do tubo digestivo, mudam para a segunda fase larval L2 e se encistam no celoma do anelídeo (Fortes, 1997 apud Alves; SILVA; NEVES, 2007; Kano et al., 2003). Os peixes e anfíbios atuam como hospedeiros paratênicos e se infectam pela ingestão de crustáceos parasitados (Mascarenhas et al., 2019; Measures; Anderson, 1985; Pedrassani et al., 2009). As L2, livres no trato digestivo, migram através da parede intestinal ao mesentério ou fígado, onde se encistam, crescem e sofrem duas mudas, dando L3 e L4 infectantes. O hospedeiro definitivo se infecta alimentando-se com o fígado cru de hospedeiros intermediários contendo a L4 ou pela ingestão de água contaminada com os anelídeos (Perera et al., 2021). Por fim, os hospedeiros definitivos são, principalmente, animais silvestres, entre eles raposas-do-campo (Ribeiro; Verocai; Tavares, 2009), lobos-guará (Oliveira et al., 2021; Varzone; Aquino; Rodovalho, 2008), furões (Cazati et al., 2022; Pesenti et al., 2012; Schwantes et al., 2020; Zabott et al., 2012), lontras (Echenique et al., 2018) e quatis (Milanelo et al., 2009). Todos estes animais fazem parte da fauna silvestre da Serra da Mantiqueira (MAZZA et al., 2018; MAZZEI, 2007) e, portanto, circulam nas áreas rurais e liberam ovos de D.renale, que atingem os rios e lagos da região. Deve-se atentar que a região serrana de Campos do Jordão é a principal área de criação de trutas-arco-íris do Brasil (NOBILE et al., 2019), caracterizada por propriedades rurais, que utilizam a água de rios e nascentes para abastecer os tanques e raceways de criação comercial desta espécie, os quais podem atuar como hospedeiros paratênicos. Estes fatores contribuem para a infecção de cães pela ingestão de água contaminada e/ou pelo comportamento de caça de hospedeiros, tais como peixes e anfíbios (Eicke et al., 2014; Ferro et al., 2018; Freitas et al., 2018; Santos et al., 2022). Em Santa Rita do Sapucaí, município mineiro também da região da Serra da Mantiqueira, foi diagnosticado um caso em cão que também tinha acesso a rios e lagos, o que demonstra que o parasito circula entre os peixes e animais silvestres e domésticos nesta região do Brasil (Costa et al., 2020). Desta forma, os cães da Serra da Mantiqueira são sentinelas para a população humana, uma vez exposta aos mesmos fatores de risco que os cães (KANO et al., 2003). Nos cães e demais hospedeiros definitivos, os parasitos migram da parede intestinal para os rins. A prevalência destes parasitos no rim direito de cães é maior, provavelmente, devido a sua vizinhança com o duodeno (Kommers; ILHA; BARROS, 1999), com apenas um caso relatado de dioctofimatose renal bilateral em cão (Sapin et al., 2017). Além de sua localização comum nos rins, exemplares adultos de D. renale podem ser encontrados dentro da bexiga urinária (Nakagawa et al., 2006), favorecendo assim quadros de obstrução uretral. Contudo, a possibilidade de que o verme tenha se alojado na uretra peniana e resultado na necrose peniana é remota, pois a sua presença neste local é incomum (Stainki et al., 2011). Entretanto, este paciente pode ter expelido exemplares pela uretra anteriormente à intervenção cirúrgica (LEITE et al., 2005; PERERA et al., 2017; SOUZA JÚNIOR; PÁDUA, 1977), assim como o relatado em casos de infecções zoonóticas tanto em homens (CHAUHAN; KAVAL; TEWARI, 2016; PARK et al., 2013; SARDJONO et al., 2008; VENKATRAJAIAH et al., 2014; YANG et al., 2016) quanto em mulheres (LI et al., 2010; LISBOA, 1945; YANG et al., 2019). Em localizações extracavitárias, há também a descrição de D. renale alojados no espaço retroperitoneal em cães (Amaral; SANTOS; ANDRADE JUNIOR, 2020). Também foi relatada a presença de D. renale no tecido subcutâneo da região inguinal e lateral do pênis, alternativamente à presença do parasito no canal uretral (Silveira et al., 2015; Souza Júnior; Pádua, 1977). Locais menos comuns para alojamento do mesmo nas regiões inguinal e pélvica são o escroto (Mistieri et al., 2019), testículos (Regalin et al., 2016), glândula mamária (Paras; Miller; Verocai, 2018) e útero gravídico (Veiga et al., 2012). Porém, não foram observadas alterações por alojamento de exemplares de D. renale na região retroperitoneal do paciente. Os sinais apresentados por cães infectados incluem apatia, perda de peso, arqueamento do dorso, dor lombar, disúria, estrangúria, hematúria, aumento de volume palpável na região renal e andar vacilante (Barriga, 1982). Além disso, pode-se diagnosticar peritonite e uremia devido à insuficiência renal (Leite et al., 2005; Stainki et al., 2011). Em casos graves, a infecção pode ser acompanhada de vômito bilioso, anorexia, adipsia, anúria, disquezia e emagrecimento progressivo, com animal com hipertermia, desidratação, bradicardia, dispneia e pulso filiforme (Luz et al., 2014). Este quadro pode também cursar com a obstrução do trato urinário intermitente ou parcial como observado neste caso, levando à hidronefrose, com a eutanásia em quadros graves (Luz et al., 2014). Porém, devido ao quadro grave do paciente, não houve análise hematológica ou bioquímica anteriores à cirurgia. É possível que este paciente apresentasse, no momento da cirurgia, elevação dos níveis de ureia e creatinina (Bastos, 2020; Bernardes, 2022; Luz et al., 2014) e anemia pela destruição do parênquima renal (Amaral; SANTOS; ANDRADE JUNIOR, 2020; NURKO, 2006).  A urinálise é um método diagnóstico em que se detectam sangue oculto, cristais e ovos do parasito (Valle et al., 2022). Corroborando com a literatura, o diagnóstico da infecção por D. renale foi confirmado pelo exame ultrassonográfico (Cottar et al., 2012), pelo qual são relatados o aumento das dimensões do rim afetado com arquitetura interna modificada e contendo várias estruturas tubulares arredondadas com camada externa hiperecogênica e sua parte interna anecoica (Bastos, 2020). Os cálculos uretrais podem ser diagnosticados tanto pela radiografia da pelve (Luz et al., 2014) quanto pela ultrassonografia abdominal (Veiga et al., 2012), e podem ainda estar relacionados à cristalização de ovos de D. renale em cálculos de estruvita (Whelen et al., 2011). Todavia, no presente caso, não houve confirmação da relação entre a infecção por D. renale e a presença de cálculos uretrais, sendo este o fator que, possivelmente, acarretou o trauma peniano, com infecção secundária e consequente excisão cirúrgica (CRUZ et al., 2015; GAVIOLI et al., 2014). O tratamento para a dioctofimatose é a excisão cirúrgica do rim afetado e dos parasitos livres na cavidade abdominal, com protocolo anestésico específico para os cães nesta condição (Ogliari et al., 2020). Cães saudáveis que sofreram nefrectomia unilateral apresentam alterações dos níveis da fosfatase alcalina específica dos ossos (bone-specific alkaline phosphatase), mas sem alterações no hemograma (Beder; Sobhy, 2021). Porém, pouco é discutido sobre os efeitos pós-nefrectomia em cães com diagnóstico de D. renale (Amaral; SANTOS; ANDRADE JUNIOR, 2020). Galiza et al. (2021) observaram que o rim remanescente de cães nefrectomizados pela D. renale apresentava comprometimento de função, sendo detectadas alterações como a glomerulonefrite, infiltrado inflamatório com fibrose focal e glomeruloesclerose. Infelizmente, o tutor não retornou com o cão após a cicatrização da incisão cirúrgica, impossibilitando a avaliação da função renal pós-nefrectomia. Tratamentos mais recentes trazem o uso da associação de endectocidas para o combate ao D. renale em animais silvestres (Oliveira et al., 2021) e em cães (Zolhavarieh; Norian; Yavari, 2016), com protocolos à base de ivermectina e albendazol, baseados no uso em casos em humanos (Ignjatovic et al., 2003; Yang et al., 2016, 2019). Conclusão A parasitose pelo Dioctophyme renale é um diagnóstico diferencial pouco explorado na clínica de pequenos animais pela sua baixa prevalência. Porém pode estar associada a outras comorbidades que agravam os quadros de insuficiência renal que cursam com cálculos vesicais e uretrais, em que lesões graves favorecem o óbito.  </CorpoDoTexto><Referencias>Referências ALVES, G. C.; SILVA, D. T.; NEVES, M. F. Dioctophyma renale: o parasita gigante do rim. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, v. 4, n. 8, jan. 2007.  AMARAL, C. B.; SANTOS, M. C. S.; ANDRADE JUNIOR, P. S. C. Ectopic dioctophymosis in a dog: clinical, diagnostic and pathological challenges of a silent disease. Parasitology International, v. 78, e102136, Oct. 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.parint.2020.102136. Barriga, O. O. Dioctophymosis. In: Schultz, M. G. CRC handbook series in zoonoses. Florida: CRC Press, 1982. p. 83-92. Bastos, L. M. S. Ocorrência de Dioctophyma renale em cão proveniente do município de Valença-RJ: relato de caso. Pubvet, v. 14, n. 4, p. 1-5, abr. 2020. DOI: https://doi.org/10.31533/pubvet.v14n4a559.1-5. Beder, N. 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