Frequência de casos de acumuladores de animais e correlação com indicadores socioeconômicos em Curitiba–PR

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Suzana Maria Rocha
Graziela Ribeiro da Cunha
Camila Marinelli Martins
Emely Gabrielle Pereira Dias
Dirciane Floeter
Marília de Fátima Ceccon-Valente
Liana Ludielli da Silva
Flávia Martins
Alexander Welker Biondo

Resumo

O acúmulo de objetos e/ou de animais é considerado como um transtorno mental, caracterizado pela dificuldade do indivíduo em se desfazer de suas posses. No caso de acúmulo de animais, usualmente, observa-se no local ausência de saneamento, espaço, alimentação e cuidados veterinários, sendo o acumulador incapaz de reconhecer os efeitos dessas falhas no bem-estar dos animais. Estudos referentes ao acúmulo de animais são cada vez mais frequentes na literatura científica, mas dados referentes a distribuição geográfica dos casos e possíveis padrões que favoreçam a sua ocorrência ainda são escassos. O presente trabalho foi delineado para estabelecer a frequência dos casos de acumuladores de animais no município de Curitiba e correlacionar a sua ocorrência com indicadores demográficos e socioeconômicos dos bairros da cidade. Foram utilizados dados referentes a casos de acumuladores de animais provenientes das Secretarias de Saúde, Meio Ambiente e Assistência Social e da central de denúncias da Prefeitura de Curitiba. A frequência de casos foi correlacionada com indicadores populacionais e socioeconômicos dos bairros da cidade, como densidade populacional, população total, população por sexo, população idosa e renda média mensal. Os dados foram analisados com o emprego do programa estatístico SPSS, e as correlações foram calculadas pelo teste de Spearman. A análise dos dados revelou a existência de 65 acumuladores de animais em Curitiba, o que representa uma proporção de 3,71 para cada 100.000 habitantes, distribuídos em 38/75 (50,6%) bairros da cidade. Foi detectada a ocorrência simultânea de acúmulo de materiais em 24/65 (36,9%) casos. Dados referentes ao número de animais envolvidos foram coletados em 40/65 (61.5%) casos, resultando em um total de 1.114 animais ( 724 cães e 390 gatos), com uma média de 27,8 animais por caso. A correlação da frequência dos casos nos bairros com os dados populacionais foi positiva e significativa (p<0,01), demonstrando que os bairros mais populosos, em quaisquer extratos populacionais, apresentam maior ocorrência de acumuladores de animais. A correlação com a renda média mensal dos bairros foi negativa e significativa (p<0,05), evidenciando que bairros com menor rendimento médio mensal apresentam maior registro de casos de acumuladores de animais. Com isso, pode-se concluir que a frequência de casos de acumuladores de animais é relativamente alta em Curitiba, estando amplamente distribuídos pela cidade, sendo mais frequentes em bairros mais populosos e com menor renda mensal média, e envolvendo um elevado número de animais.

Detalhes do artigo

Seção

VI CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO

Como Citar

ROCHA, Suzana Maria et al. Frequência de casos de acumuladores de animais e correlação com indicadores socioeconômicos em Curitiba–PR. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo, v. 13, n. 3, p. 76–76, 2016. Disponível em: https://revistamvez-crmvsp.com.br/index.php/recmvz/article/view/28928. Acesso em: 16 jul. 2026.